Brasil - Santos - 5/9/2010
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07/08/2009
O corredor da morte

 

(*) João Domingos Neto

 

Há um ano atrás manifestei minha opinião a respeito das ciclovias que estão sendo implantadas em nossa cidade. Naquela época deixei bem clara minha posição a favor de que o ciclista tenha uma faixa exclusiva para sua locomoção dentro da cidade de Santos, entretanto sou contrário ao sistema implantado e entendo que deveriam ser feitas ciclo faixas e não ciclovias.

 

A prefeitura, antes de construir as ciclovias, deveria se preocupar mais com a segurança da população, que é violentada com os abusos cometidos pelos ciclistas que andam em cima das calçadas, na contramão, não respeitam os sinais de trânsito, regulamentando o CNT.

 

Agora que a prefeitura anunciou que vai fazer uma ciclovia no meio da Av. Ana Costa, não poderia deixar de me posicionar, mais uma vez, totalmente contrário a esse absurdo que se pretende impor numa avenida tão importante da cidade no desafogamento do trânsito, como também na preservação do seu patrimônio centenário que são suas palmeiras.

 

Minha sugestão que se implantassem ciclo faixas e não ciclovias parece ter ecoado na Câmara Municipal de Santos eis que, um jornal da cidade divulgou a notícia de que o vereador Geonísio Pereira de Aguiar irá tentar convencer o prefeito a mudar seu projeto e simplesmente executar ciclo faixas ao longo da Av Ana Costa.

 

Quero cumprimentar o vereador que partilha da mesma idéia que eu: para que gastar tanto dinheiro com ciclovias se ciclo faixas produzem o mesmo efeito, porém as ciclo faixas não deverão ser juntas ao canteiro central.

 

Nesse mesmo jornal há a manifestação do presidente da associação dos ciclistas do Brasil que é contrário. Você leitor já imaginou a Av Ana Costa com faixa exclusiva para ônibus, duas faixas para outros veículos e uma ciclovia bem entre as palmeiras?

 

Isso é uma verdadeira loucura, quem propõe que se faça um projeto desses não deve estar muito bem das faculdades mentais. Onde irão colocar o espaço para os pedestres que cruzam a avenida? E na praça Independência irão passar essa ciclovia dentro da praça junto ao monumento dos Andradas? E como fica o trânsito dos pedestres, milhares, que cruzam diariamente a Ana Costa ao redor da praça e em frete ao Shopping Balneário? 

 

É brincadeira o que o poder público vem fazendo em nossa cidade nos projetos de implantação de ciclovias e principalmente com o dinheiro público. Está na hora do Ministério Público fiscalizar esses gastos abusivos e a população da cidade pedir o tombamento da Av. Ana Costa, principalmente de suas palmeiras para que sua tradição e aristocracia não sejam descaracterizadas.
 

 

Tombamento

 
Como santista, morador e estabelecido no bairro há 45 anos, entrei na briga e decidi encaminhar pedido de tombamento, já protocolado no Condepasa e também no Condephat, do canteiro central da avenida Ana Costa, das palmeiras imperiais, da área de dois metros quadrados em volta das mesmas e também da praça da Independência e do monumento aos Andradas.

 

Motivos não faltam. O projeto de implantação de uma ciclovia ao longo do canteiro central da avenida Ana Costa em toda sua extensão, prevê a colocação de uma grelha de ferro em volta das palmeiras, (área  essa de preservação e sobrevivência das mesmas ), tendo uma pista de cada lado onde hoje circulam os pedestres,

 

E mais: as palmeiras imperiais, centenárias, seriam brutalmente agredidas pelas bicicletas que por ali circulariam, como também o paisagismo da avenida, bem como o patrimônio histórico e cultural da cidade e do bairro do Gonzaga, com a formação de um verdadeiro corredor da morte para os milhares de pedestres que circulam diariamente na área central do Gonzaga.

 

Vamos aguardar que a sensibilidade dos Conselhos seja maior que a da prefeitura e que o tombamento se concretize preservando-se não só nosso patrimônio histórico e paisagístico como o maior patrimônio que é o ser humano.

 

 

(*) João Domingos Neto é cirurgião-dentista e comentarista do Programa Canal Aberto da TV Com de Santos.
 
 

 



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