(*) João Domingos Neto
A situação em que se encontra a saúde pública de Santos, principalmente no que diz respeito à dengue, é simplesmente lamentável. São 1681 casos registrados até esta data (17 de abril), sendo que só nesta semana foram 433 novos casos.
Estes são os números oficiais, que podem não estar representando a realidade dos fatos, uma vez que muitas pessoas não recorrem aos serviços públicos de saúde, fazendo o tratamento em suas próprias casas, ou mesmo, até morrendo sem que sejam medicadas.
Estes dados mostram a total irresponsabilidade do poder público municipal que não tomou as medidas preventivas necessárias para impedir que essa epidemia se instalasse e somente agora vem realizar mutirões que de nada adiantarão, pois a epidemia já está consumada. Prova de total incompetência administrativa do prefeito de Santos e sua equipe.
Gostaria de fazer um paralelo da epidemia de dengue com o que está acontecendo, neste momento, quando o Ministério Público ajuíza uma ação penal pública - contra 11 pessoas envolvidas no caso das supostas irregularidades do setor de radioterapia do Hospital Beneficência Portuguesa de Santos.
No caso da radioterapia da Beneficência, o que foi constatado é que as pastilhas da bomba de cobalto estavam com prazo de validade vencido e não produziam efeito benéfico aos pacientes. Entretanto, não se tem conhecimento de ninguém que se apresentou reclamando de ter sido prejudicado pela aplicação da bomba de cobalto.
Na epidemia de dengue são nada mais nada menos que 1681 pessoas prejudicadas pelo poder público. Não se vê nenhuma iniciativa da Promotoria Pública em investigar e ajuizar uma ação penal pública contra a administração municipal - principalmente contra o prefeito, que é o maior responsável pelo caos instalado no setor público de saúde. Por que um peso e duas medidas?
A inoperância e a incompetência dos administradores municipais é uma coisa comum de se ver em nossa cidade. Eu gostaria de aqui dar um testemunho do que passei, quando o secretário de saúde de Santos era Edmon Atik.
Depois de ter adquirido dengue por duas vezes, em razão de uma piscina abandonada que fazia fundos com o prédio em que resido, fui obrigado a entrar na justiça contra a prefeitura e o proprietário do imóvel, porque a piscina estava totalmente tomada de mosquitos da dengue.
Apesar das inúmeras reclamações que registrei no órgão municipal responsável, nenhuma providencia foi tomada. Cheguei a matar, por dia, mais de vinte mosquitos da dengue, mesmo morando no oitavo andar do edifício.
Só depois que entrei na justiça, é que o problema foi solucionado. Por essa razão, é que entendo que a dengue, hoje uma epidemia, é um caso de JUSTIÇA e também de polícia pois quem prejudica a saúde de 1681 pessoas tem que ser responsabilizado criminalmente e ir para a cadeia.
(*) João Domingos Neto é cirurgião-dentista e comentarista do Programa Canal Aberto da TV Com de Santos.