Brasil - Santos - 10/3/2010
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05/03/2010
Herança bendita

 

(*) Marcos Leomil

Parece que a tendência na política é desprezar os feitos dos vencidos e enaltecer seus defeitos. Costuma-se chamar isso de herança maldita. No mundo do futebol, que um dia Telê Santana disse não ser para gente séria, também acontece com frequência. Vejo no Santos que, mesmo após dois meses da eleição, a onda de versões difamatórias plantadas diariamente na imprensa ainda não arrefeceu.

Fica a impressão que hoje o clube é comandado pelo monopólio da honestidade, honradez e amor eterno pelo Santos. Antes, ao contrário, havia um bando de malfeitores que não fazia outra coisa senão se locupletar e assaltar os cofres do alvinegro. O certo é que a atual gestão recebeu sim uma herança bendita. Ou ela não encontrou uma equipe praticamente montada?

Do time titular, foram formados no clube Felipe, André, Wesley e as duas preciosidades Paulo Henrique Ganso e Neymar, que em breve tempo renderão dividendos, além dos contratados Leo, Madson, Pará, Edu Dracena e Mancha.

Há ainda os garotos talentosos Alan Patrick, Breitner, Wesley Santos, Renan e tantos outros formados na base. Sei que sem a liberdade de desaprovar, o elogio se torna fugaz. Mas seria uma oportunidade sublime de dar mérito a quem merece. Um gesto nobre de gente grande, não em tamanho, mas em dignidade.

A diretoria do Santos deve ser enaltecida pela espetacular contratação de Robinho que a par da sua qualidade técnica e carisma, trouxe os torcedores de volta aos estádios. Uma jogada de marketing indiscutível. Deve ser igualmente elogiada a vinda do técnico Dorival Júnior, que faz um bom trabalho e não tem a empáfia do Leão e Luxemburgo, por exemplo.

O diabo é que mesmo com a excelente fase do time, tem gente preocupada com o passado. Melhor caminho é a auditoria no clube e, se constatada a malversação dos recursos, os infratores denunciados.

Enquanto isso, folgo em saber que a diretoria recebeu um legado de títulos (dois brasileiros e dois paulistas), Vila Belmiro reformada e mais bonita, CT moderno, com hotel cinco estrelas, e um digno Memorial de Conquistas, que faz jus à rica história do clube.

Convenhamos, um quadro bem melhor que o encontrado no passado não é mesmo? Quem não se lembra da falta de crédito do Santos na praça, do ônibus do clube penhorado, do CT simplório e incompatível com as glórias do alvinegro?

Claro, sei que tem gente que dá de ombros pra isso, preferindo enfatizar a tal herança maldita. Admito que alguns carregam com lamúrias pelas esquinas o fardo pesado da derrota, incapazes de absorver o resultado das urnas.

Mas o que dizer da compulsão de se satanizar o ex-presidente. A troca de acusações não leva a nada. Importante é uma profícua administração, como desejam os milhares de santistas. Até porque o Santos é maior que todos.
(*) Marcos Leomil é jornalista
 


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