Tirante os aduladores de plantão, poucos acreditavam, inclusive eu, que Neymar recusasse a proposta do Chelsea, decidindo ficar no Santos. Ainda mais depois da saída de André, Robinho e Wesley.
Embora não faça parte do grupo reduzido de jornalistas que endeusam a diretoria, com loas exageradas e omissão dos equívocos, tenho de reconhecer que ela trabalhou ativamente e com competência para segurar o jogador.
Foi, sem dúvida, uma decisão que faz história no futebol brasileiro, sempre movido a paixão, florescendo talvez o início de mudança de comportamento na relação profissional entre os clubes e os atletas deste país.
Essa façanha ninguém em sã consciência pode negar. O mérito do presidente Luís Álvaro Ribeiro deve mesmo ser enaltecido. É simples: a César o que é de César.
A ponderação de Pelé , em telefonema ao pai do atacante, teria sido decisiva, além é claro dos R$ 500 mil mensais, para a permanência de Neymar. O curioso é que há alguns anos, Pelé defendeu a saída de Robinho para o Real Madri. Agora, seguiu em direção contrária.
Desconheço os pormenores do contrato, válido até 2015, mas há informações que Neymar receberá R$ 3,4 milhões por ano, entre salário e direito de imagem.
Sem querer ser chato, mas sendo, quem pagará essa fortuna ao atleta? Será o Santos ou o grupo de empresários, desconhecido até hoje (existe mesmo?), responsável pelo pagamento mensal de R$ 1 milhão a Robinho?
Segundo Wagner Ribeiro, empresário do atacante, a diretoria do Chelsea disse que o jogador "era o único louco que rejeitou a proposta de um clube top do mundo". Alguém já afirmou, não lembro quem, que às vezes é necessário parecer louco para obter sucesso na vida.
O cavalo passou encilhado e Neymar foi demovido a não montá-lo. Mas ele é um craque com futuro promissor e não lhe faltará outra oportunidade para jogar na Europa. Acima de tudo, claro, está sua felicidade.