Pra começar, ela torce prum pequeno time do litoral paulista (doravante, p.t. do l.p.); eu torço pro Timão!
Eu sou fanzaço do Dunga; ela não o suporta.
Sou “peixe” do “Baixinho” e, pra mim, Maradona é deus – e de ambos ela também não gosta.
Ela é 100% espanhola (pai e mãe de Vigo); eu sou uma porralouca mistureba de cearense/alemão/irlandês/espanhol (no primeiro jogo da tal de “Fúria”, foi difícil esconder meu sorrisinho no gol da Suíça – motivo prum semicacete semifederal).
Nos jogos do Brasil, eu quero beber vinho; ela quer cerveza (contraditório, não?). Aí, mais uma discussão.
Eu falo: – Tá bom, eu compro a cerveja e você o vino.
Ela diz que o “Christianu Runaldu” é bonitchons e que achava o goleiro (espanhol) Zubizarreta lindo; eu digo que “Ronaldo” só tem um, o resto é “Christiano” e que o Zubizarreta tem mais é que tomar na tarraqueta!
Cara virada.
“Invejooooso...”.
Ela tem uma mandinga de colocar uma camisa horrível do p.t. do l.p., se o Brasil não faz gol até os 15 do primeiro tempo; eu analiso que já que é pra fazer macumbinha, que faça uma coisa decente. Ela fica toda invocadinha (coisa típica de quem torce pro tal p.t. do l.p.). Mas, aqui entre nós, hei de admitir que a manobra vem dando certo...
Ela fica matraqueando que um tal Neymar e um Ganso e aquele outro deveriam ter sido convocados; e eu faço a caridade de informá-la de que aquilo que viajou à Copa da África é a Seleção Brasileira Principal de Futebol e não Clínica de Mergulho ou Academia de Dança.
Ela faz bico.
Como todo grande boleiro (e fui quase profissional), eu antevejo as jogadas e teço meus comentários maravilhosos e geniais. Ela faz cara de escárnio e diz “Falô, bonzão!”.
E eu: “Tá bom! ‘Bonzão’ é o tal de Zubizarreta, que tomou na tarraqueta e tem cara de capeta!”.
Ela: “Humpf! Que despeito, heim?”.
Ela reclama que eu comprei pouca cerveja; eu rebato dizendo que “Malbec” e “Domecq” são coisas totalmente diferentes.
Ela retruca: “Mas é tudo vinho, seu chato!”.
Eu: “Olha, Malbec é um tipo de uva e Domecq é um brandy – e a tal Casa de Pedro Domecq, inclusive, fica lá na porra daquele país dos seus pais e do merda do Zubizarreta!”.
Ela: “Não precisa ser grosso, seu grosso!”.
Eu digo: “CARACAS! QUASE GOL DO NILMAR!
Ela: “Você não presta atenção no qu’eu digo...”.
Eu: “Que ‘Rodrigo’? É ‘NILMAR’! ‘NIL-MAR’! Ex-Timão!”
Ela começa a sair da sala.
Eu (só) finjo que nem tchuns.
O Neto diz: “Atenção, Luciano, depois eu completo...”.
Luciano do Valle grita: “É GOOOOOL DO BRASIIILLL! LUÍS FABIANO!”
Ela volta!
Eu a beijo!
Comemoramos o gol.
“Desculpa?”.
“Claro!”.
“Eu te amo, espanhola!”.
“Eu também, amor!”.
“Comemoramos...”...
VALEU, DUNGAAAAAAAAAAAAAAAAAA!