Brasil - Santos - 5/9/2010
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ConTexto
Marta Ramos Cabette - é professora alfabetizadora e psicóloga
Normal não é tão bom

 

Recentemente assisti uma entrevista do psiquiatra José Ângelo Gaiarsa onde ele dizia “Nós latinos, vamos colocar fogo na escola” diante da inevitável surpresa do apresentador: “Como assim? Colocar fogo na escola?” ele respondeu - literalmente.

        

A escola atual não tem nada a ver com nossos jovens. A violência tomou conta das salas de aulas e medo impera entre alunos e docentes.

 

O programa escolar básico é o mesmo de quando os avôs dos desses jovens estudaram a 60 ou 70anos atrás e o mundo mudou mais nestes últimos 50 anos que em 10.000 anos de história.

      

Os casos de depressão infantil são cada vez mais numerosos, se bem que no Brasil poucas pesquisas são feitas a este respeito. Basta estar dentro do ambiente escolar para qualquer um ver que isso é uma realidade indiscutível.

      

A culpa é só da escola? É claro que não. Estamos condicionados. Pais, mães e professores também têm uma visão social conservadora da criança. Esta visão precisa mudar radicalmente. E aí mora a grande dificuldade. A maioria dos adultos não enxerga com bons olhos as mudanças radicais não saber como lidar com o novo amedronta e paralisa.

     

Pais e educadores ainda não sabem como acontece a aprendizagem e tudo permanece imutável na educação atual, vai-se perpetuando o fracasso.

      

Os cursos de pedagogia não falam das descobertas sobre o cérebro.

      

O Modelo pedagógico utilizado ainda é o do discurso, as crianças e jovens são ouvintes e o professor e os pais falam, falam e não são ouvidos.

       

Somente 5% do que a criança ouve é assimilado, 2/3 do cérebro esta relacionado com movimento e 1/5 com a visão. Mas em nossas escolas sentam 35 a 40 alunos em uma sala exígua e são obrigados a permanecerem sentados ouvindo, ouvindo...

     

A palavra que mais se ouve dentro de uma escola, seja na sala de aula ou no intervalo é NÃO. Menino não corra! Não fale! Agora não!

    

A camisa de força das regras sem-sentido torna inevitável a monotonia para os jovens, que não vêem sentido em um ambiente tão sem atrativos.

    

Na nossa sociedade atual poucos são aqueles que conseguem dar um toque pessoal em suas vidas. Vai-se de casa pro trabalho, do trabalho pra casa, dia após-dia, e a depressão está se tornando uma epidemia. Esta estagnação, ausência de sentido, repetida cotidianamente é o modelo que nossos jovens vêem. Grande parte da aprendizagem se faz pela imitação.

 

Então, como achar sentido em reproduzir o que torna os adultos tão infelizes?

  

Carecemos de originalidade, coragem para inovar e humildade para buscar conhecimento e nos desprendermos do poder que achamos ter sobre a nova geração.

  

Ela está nos dizendo repetidamente que não dão a mínima para NOSSAS regras e desejos e dizem isso literalmente atacando a família, a escola. Mas também paga um preço alto, suas vidas também estão monótonas e sem atrativos.

  

De perto todo mundo é normal demais. A saída talvez esteja em valorizarmos mais o que não é tão normal.
 
 


15/04/2010
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